“Pearl Harbor, Lisboa, Tóquio” e a relação de Morishima Morito com Macau

O mercado livreiro português é reduzidíssimo, já se sabe. Diz-se que dos cerca de dez milhões de habitantes de Portugal, os leitores de livros não passarão dos dez mil. Sendo assim, publica-se muito mais o que promete vender e muito menos o que se sabe de antemão que terá pouco interesse para esse diminuto universo.

“China Races” de Austin Coates

Todos temos na memória aquelas encenações medievais que se fazem em Itália recreando as corridas de cavalos do renascimento. Uma parafernália de cores e sons, junto das catedrais das cidades estado com os jockeys vestidos a rigor, ostentando os brasões das famílias a que pertenciam, enquanto escravos criados e estribeiros fardados a rigor seguram os equídeos ataviados luxuosamente.

José Vicente Jorge – Macaense Ilustre

Vicente Jorge merecia que o arrancassem do circunscrito anonimato semifamiliar em que tem permanecido desde o seu desaparecimento desta vida em 1948. E quem o arrancou desse semianonimato foram precisamente Graça Pacheco Jorge e Pedro Barreiros, os netos do biografado, que não são escritores, mas que retratam aqui não só o avô mas metade de um século da vida de Macau.

A outra metade do céu

Macau regista na sua história algumas páginas negras. Felizmente não muitas. Mas ao longo dos seus quatrocentos anos de existência regista principalmente um grande número de páginas em branco. Entre elas contam-se as que deveriam falar sobre a questão da escravatura e não falam.

PORTUGAL NO TECTO DO MUNDO

Por estranho que hoje possa parecer, a verdade é que antigamente era bem mais fácil desbravar mundo por mar do que por terra. Portugal é disso exemplo. Isto porque ainda na primeira década do século XX era bem mais fácil – senão mesmo mais rápido – viajar a bordo do vapor que fazia a carreira entre Lisboa e Porto do que pôr o pé no estribo da diligência que, desde não muito antes, tinha começado a perfazer, aos solavancos e por etapas, os trezentos e tal quilómetros que separam a capital de Portugal da sua segunda cidade.

Relação da Grande Monarquia da China

Muitos poderão pensar que a literatura portuguesa só seria verdadeiramente projectada para a prateleira dos bestsellers internacionais com a atribuição do Nobel a José Saramago no penúltimo ano de século XX (8 de Outubro de 1998). Mas nada está mais longe da verdade. Isto porque séculos antes, mais concretamente em 1642, aparecia nos escaparates das livrarias de meia Europa um livro de um autor português completamente desconhecido que bateria todos os recordes de vendas desse ano.

As-tu vu Cremet?

Jean Cremet interessa particularmente a Macau, tendo em conta que era este comunista francês que como agente do “Comintern” controlava a região do Extremo Oriente, onde se incluía a China, o Japão, o Vietname - integrado então na denominada Indochina francesa - e a Coreia, entre outros países e colónias.