Ano novo chinês e a era de maior influência oriental

fernanda ramone

Fernanda Ramone*

Seguindo a astronomia e de acordo com o calendário lunar, os chineses estão a celebrar o ano de 4717. Chegam ao século XXI em plena Nova Rota da Seda, lançando satélites, construindo e ensinando robôs, sem deixar de investir no desenvolvimento humano.
Foram laureados com o Nobel da Medicina, prêmio concedido à especialista ligada à medicina tradicional chinesa Tu You You; na Literatura, Mo Yan foi agraciado; e Liu Xiaobo, activista dos direitos humanos, recebeu o Nobel da Paz, sem que tivesse permissão para sair do país e viajar até à Suécia para receber o troféu; na área da Arquitetura, Wang Shu foi premiado com o Pritzker ao edificar o moderno e o tradicional em linhas leves mas imponentes.
O mesmo desenvolvimento no mundo da moda, no mercado de luxo digital, não deixando de documentar, retratar e ganhar prêmios cinematográficos. A era de maior influência oriental ancora no Ocidente em games e desenhos animes, com personagens de olhos grandes, porque é desta forma que se entendem grandiosos. E é também como hoje muitos buscam-se configurar, visto o aumento dos olhos ser um dos procedimentos cirúrgicos mais comum entre as intervenções plásticas na China e também na Coreia.
Orientam-se pela mesma conduta moral e ética, o confucionismo. Confúcio é o filósofo eleito para difundir a língua, costumes e a cultura chinesa através de institutos espalhados pelo mundo.
Transbordam em muitas outras margens, mares, marés. Precavidos, observaram por anos, quase um século, tudo aquilo que se passava além do centro do Império do Meio. Aprenderam, escutaram, absorveram feitos e experiências bem-sucedidas dos vizinhos, dos distantes.
Abriram o peito para respirar ares de novidades, correram para alcançar as defasagens, fizeram isto sem muito ordenar a ânsia. Levaram medalhas recordistas em atletismo, e ao mesmo tempo o ar que respiravam era tóxico, poluído. São olímpicos. Estão em grandes marchas a avançar, ensinando a classe média a nadar. Correm e abrem braçadas também no futebol, pretendem-se craques.

inteligência artificial
Investem alto na educação, crianças e jovens em formação, máquinas em ação. Abarcam a inteligência artificial, robótica, genética, unem inovação à tradição em desafios diários, milionários, binários. Lutam contra a solidão dos tidos como refugo, jovens bem-sucedidos, solteiros, sem filhos.
Milenares que um dia já foram matriarcais – daí o carácter para “sobrenome” ( 姓 xìng) incluir o radical para feminino (女) – preocupam -se agora em perpetuar o sobrenome do pai.
Nesta época do ano unem-se para desejar prosperidade, fortuna em família, questionam as vias, promovem o maior fenômeno migratório do planeta e unidos se alimentam, queimam fogos-de-artifício, iluminam, trazem à tona desafios, como tentar olhar sem preconceito o que se inicia.
Celebram este ano o porco, movimentam indústrias com superstições auspiciosas, em torno dos valores tradicionais, são ancestrais.

*curadora, produtora e jornalista cultural a viver no Rio de Janeiro

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