Formas de existir na versão chinesa

fernanda ramone

 

 

 

 

 

 

 

Fernanda Ramone*

Sendo a China um país tão grande e populoso, encontrei em Pequim a forma de existir no cuidado no trato. No cotidiano, ao alcance de massagens grátis quando se corta os cabelos, na capacidade de se transformar e também nos próprios paradigmas para sediar e receber uma paraolimpíada.

Para as olimpíadas, os chineses realizaram com esmero todas as transformações arquitetônicas, de infra-estruturas, logística, gentrificação, sinalizações em outros idiomas. Seguiram todo o protocolo de exigência à risca.

Foram além no que há para depois dos jogos olímpicos: os paraolímpicos. Em geral, os chineses fazem surpresas desta forma, surpreendem em lugares que aos outros passam despercebidos: organizaram um espetáculo sinestésico e onírico em noite de abertura; sentidos perfumados em odor de flor estimulados por enfeites jogados de cima; luzes multicolores em sintonia com o som para melhor percepção; tambores, leds, performances, os países todos, seus para-atletas e as atenções no compromisso e na seriedade de manter funcionando a estrutura para o espetáculo que se seguiu durante os mínimos detalhes de bastidor de cada operação e para qualquer competição.

Não por acaso ganharam muitas medalhas. E muita admiração. Não houve quem passasse despercebido. E é de realçar o compromisso com a inclusão. Incluíram atletas, para-atletas, países e as suas próprias contradições. Num país dos idos do filho único, um herdeiro com necessidades especiais, espacialmente faltavam-lhe espaços.

Distribuíram ingressos para a população idosa, para os camponeses, para as crianças, os não VIP, embalados muitas vezes ao som do próprio hino nacional. Escutaram outros hinos também, o do Brasil foi tocado no futebol de 5, natação, atletismo.

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Foto: EXTRAMUROS/Catarina Domingues

A China que surge numa Era de maior influência oriental atual é imperialista, como todos os outros domínios imperiais que conhecemos. Chega ao ritmo de quem já caminhou por grandes marchas, depois de saltos adiantes, aberturas, hibridismos e desenvolvimento.

A China que chega incluiu atletas de muitas províncias e muitos lugares ao preço da mesma exigência milenar diante do falhar. Isto no entendimento maior sobre o compromisso de avançar para poder chegar. Na versão esportiva respeitam a equipe, são aplaudidos e dão lugar no pódio, mesmo não reconhecendo o vice como vitória.

Este relato é baseado em fatos reais de experiência junto ao comitê paraolímpico brasileiro na versão chinesa de território continental e também Hong Kon

*curadora, produtora e jornalista cultural a viver no Rio de Janeiro

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