Festival de Cinema Queer de Xangai aposta nas curtas para dar voz a nova geração de cineastas

queer xangai

© Shanghai Queer Film Festival

Um festival com várias missões: trazer até à China uma cinematografia de acesso limitado ao grande público, desfazer mitos, promover a diversidade e a igualdade. O Festival de Cinema Queer de Xangai, que decorre entre 21 e 26 de Setembro naquela cidade chinesa, traz para o centro de debate questões relacionadas com a comunidade LGBTQIA (lésbicas, gays, bissexuais, transgénero, queer, intersexuais e assexuais).
“Como é que entendemos este mundo caótico e como promovemos a diversidade, enquanto desfazemos preconceitos nesta jornada em direcção à verdadeira igualdade? Esperamos que o festival possa ser uma plataforma para todos”, escreve numa nota introdutória o director do evento, Tingting Shi, referindo que o festival, já na segunda edição, deve muito à equipa que o pensou e planeou: “Uma nova geração emergiu mais tolerante e inclusiva no que diz respeito às diversas identidades e orientações sexuais, apesar de um ambiente político cada vez mais complicado”.
O filme brasileiro “Tinta Bruta” (2018) abre este ano o Queer Xangai. Com realização de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, a película conta a história de um jovem que assume uma nova identidade na internet, dançando nu na escuridão do seu quarto.
De Hong Kong chega “Yang and Yin: Gender in the History of Chinese Cinema” (1996), obra de Stanley Kwan. O realizador “traça a sua evolução identitária enquanto gay através dos filmes com que cresceu”, pode ler-se na apresentação da obra. Já o documentário “Beautiful Men” (2005) de Haibin Du retrata a vida de um grupo de drag queens num bar de Chengdu, capital da província chinesa de Sichuan. “Depois das dez da noite, quando escurece, elas procuram conforto e felicidade, ou simplesmente a alegria de ser mulher”, escreve a organização.

“Uma nova geração emergiu mais tolerante e inclusiva no que diz respeito às diversas identidades e orientações sexuais, apesar de um ambiente político cada vez mais complicado”.

Um dos pontos altos do festival é a “Competição de Curtas” que pretende tornar-se numa “plataforma para a nova geração de cineastas, especialmente da Ásia”. Só no ano passado, foram seleccionadas 15 curtas-metragens entre as 800 propostas recebidas pelo festival.
Na categoria “Competição de Curtas Asiáticas” estão este ano na corrida filmes como “Pink Pill” (2017) de Xiaoshan Xie ou “Slingshot Prince” (2017), co-produção sino-americana e com realização de Dandelion Lin.
Já a categoria “Competição de Curtas Internacionais” apresenta obras de sete países. A produção holandesa “Something About Alex” (2017) de Reinout Hellenthal dá vida a um adolescente solitário, que encontra apoio e amizade no namorado da irmã num momento em que procura reconciliar-se com a sua identidade sexual.
O filme alemão “Refugees Under the Rainbow” (2018) de Stella Traub debate um tema actual, a crise dos refugiados, acompanhando Yusuf, Ritah e William, numa viagem entre o Uganda e a Alemanha. Uma história de “violência, frustração e esperança, sob o arco-íris”, nota a organização.
O Festival de Cinema Queer de Xangai foi criado em 2016, estreou no ano seguinte e reuniu na primeira edição cerca de duas mil pessoas nas várias actividades organizadas. Este evento oferece ao público propostas cinematográficas de temática LGBTQIA, um género que foi cunhado internacionalmente como Cinema Queer.

Pode ficar a conhecer aqui a programação deste ano, que conta ainda com uma série de outras actividades, como debates, workshops e festas.

 

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