O que nos reserva o Ano do Cão?

Luís Ortet

 

 

 

 

 

Luís Ortet

Popularmente 2018 é considerado o “ano do Cão” em combinação com a influência do “elemento” terra. Nas vésperas de cada novo ano chinês publicam-se no Sul da China diversos almanaques com as “previsões” para as pessoas nascidas em anos dominados por cada um dos 12 signos do zodíaco chinês.
Ao contrário do que acontece com previsões dos astrólogos ocidentais para os 12 signos (mensais) do zodíaco ocidental, é possível encontrar uma base comum muito clara no que dizem os almanaques chineses. Esses almanaques são em geral preparados por mestres de feng shui que dominam a ciência tradicional dos “Oito Caracteres” (Bazi 八字) ou “Quatro Pilares” (Sizhu 四柱). Esses mestres consideram que só é possível fazer previsões com base na data e na hora do nascimento de cada pessoa. Apenas o ano do nascimento não é suficiente. Por isso consideram que o que escrevem nos seus almanaques deve ser visto apenas como um ingrediente dessa grande festa que é o Ano Novo Chinês.
Para os curiosos, aqui vai uma síntese rápida do que dizem os almanaques para 2018, ano do Cão. A festividade do novo ano é celebrada no dia 16 de Fevereiro deste ano, de acordo com o calendário lunar, mas na verdade o ano começa a 4 de Fevereiro, que é o dia do Li Chun 立春 (que literalmente significa o “estabelecimento da Primavera (chinesa)”), de acordo com o antigo Calendário do Agricultor (Nongli 农历). O “bombo da festa” este ano será o Dragão, que é o 5.º signo do zodíaco.
Ora, o Cão é o 11.º signo. Se usarmos como referência as 12 horas de um relógio, constataremos que as 11 horas e as 5 horas se opõem. Isso significa um “choque” frontal de “energias”. O status quo é posto em causa. O que até agora era visto como estável e seguro é desafiado. Nada fica como dantes. O que, curiosamente, poderá ser uma excelente notícia para os que nos últimos tempos têm lutado sem sucesso para ultrapassarem a situação negativa em que se encontram – uma mudança será sempre uma boa notícia!

CNY1
Nos textos que se publicam no Ocidente, o ano do Cão é visto como bom para os nascidos no ano do Cão, já que é o seu próprio signo. Mas não é isso que os almanaques chineses dizem. Segundo a filosofia subjacente, são “energias” da mesma natureza que se encontram, o que prenuncia um desequilíbrio. É “mais do mesmo”, é muita gente a querer o mesmo, o que quer dizer competição. Nada de necessariamente negativo, mas que poderá ser desconfortável. A estratégia recomendada por alguns almanaques é: os nativos do Cão devem prosseguir a sua caminhada, sem se deixarem impressionar pelo “ruído” das circunstâncias, tanto mais que terão a ajudá-los algumas “estrelas” auspiciosas. Tanto no Oriente como no Ocidente, um ângulo de 90 graus significa tensão (ao contrário, por exemplo, do triângulo equilátero). Se o Cão (2018) é representado pelas “11 horas”, o Búfalo é representado pelas 2 horas e a Cabra, pelas 8 horas. Nota: na astrologia ocidental o ângulo de 90 graus é apelidada de “quadratura”, à qual os antigos mestres atribuíam uma natureza “maléfica”, isto é, problemática. Uma vez mais estamos perante um “ruído de fundo”, coisas em geral não muito importantes mas que incomodam e podem afectar psicologicamente. A estratégia recomendada é: os nascidos sob esses dois signos devem concentrar-se no essencial e prosseguir a sua caminhada, sem se distraírem. É caso para dizer, “os cães ladram e a caravana passa”… Aliás terão “estrelas” auspiciosas a ajudá-los.
O mesmo não se poderá dizer dos nascidos no ano do Galo, talvez o signo mais desprotegido deste ano, uma vez que não poderão contar a ajuda de “estrelas” auspiciosas. Isto é, terão de contar com as suas próprias forças, sem ajudas externas, para enfrentar as situações resultantes de uma relação não muito amiga entre o seu próprio signo e o signo de 2018, isto é, o Cão.
Passando agora à lista dos signos mais favorecidos (pelos almanaques) surge em primeiro lugar o Coelho, que é o parceiro natural do Cão. Isso significa que encontrarão alguém (ou alguma situação) que os completará, tornando possível o que de outro modo nunca passaria de um sonho ou um desejo. O Tigre, terceiro signo, corresponde às “3 horas” de um relógio. Ao passo que o Cavalo corresponde às “7 horas”. Ora, 3, 7 e 11 (o Cão) formam um triângulo equilátero, o que significa uma circulação harmoniosa de uma mesma “energia”. Neste caso essa energia é o “elemento” “fogo” (ou melhor, huo ), que gera um ambiente de família entre os três signos. Tigre e Cavalo sentir-se-ão “em casa” no ano do Cão. Em princípio não terão nada de grave a ameaçá-los, mas as coisas realmente boas não lhes cairão no regaço. Terão de se mexer, esforçar-se, tentar e, acima de tudo, activar as suas redes de contactos e conhecimentos (já agora o grande trunfo dos nascidos sob o Cavalo será o seu relacionamento com outras pessoas). O mais pequeno esforço será bem recompensado!
Dois signos serão claramente beneficiados pela lotaria das “estrelas” auspiciosas: a Serpente e o Porco. Os nascidos no ano da Serpente andarão “irresistíveis”, em termos de tudo o que tiver a ver com o relacionamento com outras pessoas. A começar pelo amor, claro, mas também na vida profissional e nos negócios. Tudo isso devido à ajuda de “estrelas” auspiciosas. Algo de semelhante para os nascidos no ano do Porco, também beneficiados pela sorte e pelo poder do charme pessoal.
Finalmente dois signos que terão uma sorte neutra ou mista: o Rato e o Macaco. Ambos terão de contar com os seus próprios esforços e pelo mérito, uma vez que não poderão contar com a ajuda das “estrelas”. O Macaco encontrará em 2018 a “estrela da mobilidade”, o que significa a probabilidade de mudanças e viagens. Será pois um “Macaco irrequieto”, saltando de galho em galho. Devem aceitar tudo o que sejam mudanças, sem no entanto esperar demasiado delas.

Ainda uma nota para os nossos leitores. A revista MACAU publica, na sua edição de Fevereiro, um artigo assinado pelo mestre de feng shui Mickey Hung com as previsões para os 12 signos neste ano no Cão. O mesmo conteúdo pode ser acedido através da aplicação móvel da revista, nas plataformas Apple Store ou Google Play, escrevendo “revista macau”.

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