30 anos revista MACAU: Os romances do senhor magistrado

Luciana Leitão

rodrigo leal de carvalho

Primeira página da entrevista a Rodrigo Leal de Carvalho, publicada em Dezembro de 2011

Por detrás da beca de magistrado, esconde-se um contador de histórias. Em entrevista à revista MACAU, publicada em Dezembro de 2011, Rodrigo Leal de Carvalho falava sobre os livros, a carreira e a vida.
O autor tem então 80 anos, dos quais conta com 32 anos de trabalho e oito romances. Então a dividir-se entre a Praia da Vitória, na Ilha Terceira, e breves passagens pelos Estados Unidos, o magistrado reformado “escuta jazz dos anos 30 aos 50, cultiva hortênsias e dedica-se, com muitas queimaduras, à culinária”, lê-se na entrevista feita por Catarina Domingues. Desde que deixou Macau nunca mais regressou, porque não se volta ao lugar onde se foi feliz.
Começou a escrever aos 60 anos, no território, revela: “A vivência em várias parcelas do então Império Português enriqueceu-me de experiências curiosas, interessantes e, por vezes, verdadeiramente dramáticas”. A “melhor oportunidade” surgiu “já para o fim da carreira judiciária”.
A carreira literária arrancou com o sucesso de “Requiem por Irina Ostrakoff”, apesar de lhe ter trazido “alguns dissabores” que procurou emendar. “Reportam-se essencialmente à errónea identificação de personagens das histórias ou à atribuição de factos fictícios com personagens reais ou factos supostamente acontecidos”, explica.
As suas histórias nascem com “factos verídicos, notícias ou histórias” que lhe foram contadas, mas transformando-se depois em imaginação. Foi feliz em Macau, mas, a poucos dias da transferência, acabou por abandonar o território. Embora tivesse feito a maior parte da minha carreira de magistrado no então Ultramar Português, eu pertencia, aquando da transferência, aos quadros da Magistratura Portuguesa como juiz do Supremo Tribunal de Justiça em comissão de serviço em Macau. Daí que ao terminar a minha comissão, tivesse de regressar aos quadros desse tribunal”, esclarece. Nunca mais regressou. “Tenho uma espécie de relutância ou temor de desapontamento. Não por encontrar a cidade em pior estado, pois estou certo que até terá melhorado consideravelmente, mas por não encontrar a ‘minha Macau’, não apenas a cidade que eu conheci, mas principalmente as suas gentes, as minhas gentes, as que fizeram a Macau que eu amei; os amigos que, por razões da inexorável passagem do tempo, já se foram, ou por motivos diversos passaram a integrar a diáspora macaísta”, justifica.

rodrigo leal de carvalho2

Rodrigo Leal de Carvalho fotografado em Macau nos anos 1990

[Este texto faz parte de uma série do Extramuros em que se recuperam alguns dos momentos que marcaram as três décadas da revista MACAU, uma das mais antigas publicações em língua portuguesa ainda em circulação]

Outros posts:

O fim dos passeios dos pássaros (Junho, 2008)
O arranque da missão chinesa (Março 2006)
Os ventos da fortuna (Julho, 2000)
O “1,2,3” trocado por miúdos (Novembro, 1996)
Os hotéis na década de 90 (Agosto, 1995)
A batalha de Coloane (Novembro, 1993)
Os 100 anos do Liceu
(Outubro, 1993)

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