30 anos revista MACAU: Os hotéis na década de 90

Luciana Leitão

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Revista MACAU, Série II, n.º40, Agosto 1995

Havia então mais de 40 hotéis e perto de 60 pensões, o que reflectia o desenvolvimento da península, contava Maria do Rosário Lopes, na edição de Agosto de 1995 da revista MACAU. Eram perto de 15 mil camas, o que era satisfatório para a procura da época, mas esperava-se que, no futuro, as necessidades viessem a aumentar.
O primeiro hotel do território nascia em 1883 e dava pelo nome de Hing Kee, “designação adoptada do seu proprietário, Pedro Hing Kee, um china rechonchudo e prazenteiro, nas palavras de Adolfo Loureiro, retiradas do seu livro No Oriente, de Nápoles à China” e situava-se na esquina da Praia Grande com a Almeida Ribeiro. Foi o primeiro abrigo do poeta Camilo Pessanha, quando chegou a Macau. Sem grandes luxos, “tinha outras atracções, como um velho cravo, que animava as tardes e os serões do hotel com sons de valsas, e tigres-bebés, comprados pelo proprietário do estabelecimento.”
Em Janeiro de 1928, era comprado pelo mercador chinês Lou Lim Iok e dava lugar ao famoso Hotel Riviera. Também este se tornou emblemático pela “decoração luxuosa”, mas também pelos “chás dançantes, diariamente, das quatro e meia às seis horas da tarde”. Mas não resistiu ao fim da guerra no Pacífico e em 1971 era demolido.
O Bela Vista teve “melhor sorte”, sendo renovado em 1990, pelo grupo Mandarin Oriental, e, um século depois da sua inauguração, reabria com nova cara e o nome de Hotel Boa Vista. Originalmente propriedade de um casal de ingleses, ao longo dos seus 100 anos de existência, foi sofrendo transformações. “Esteve prestes a ser vendido ao Governo francês (por 80 mil patacas) para nele instalar um sanatório. A transacção foi impedida (devido a pressões dos ingleses) pelo Governo português, que resolve expropriar o edifício e entregá-lo à Santa Casa da Misericórdia”, lê-se no artigo.
Mais tarde, viria inclusivamente a ser usado pelo Liceu de Macau, em 1917. “Após a transferência do liceu para outro edifício, em 1923, o governo compra o hotel à Santa Casa da Misericórdia, por 82.585 patacas. Em 1932, vende-o a uma senhora chinesa, que depois o hipoteca à Caixa Económica Postal. Segue-se um período em que o hotel serviu de alojamento para os cadetes ingleses, de pousada para os refugiados portugueses de Xangai (que fugiram à invasão dos japoneses), e, finalmente, já depois da II Guerra Mundial, de casa de repouso para os soldados e marinheiros ingleses”, lê-se.
Entretanto, depois da guerra no Pacífico, a oferta hoteleira do território não sofre alterações, até 1970, altura em que é inaugurado o hotel-casino Lisboa. “Pode-se dizer que o Lisboa é “uma cidade dentro da cidade”. “Cá fora, na rua, acumulam-se as casas de penhores, cujo símbolo — o morcego — repete a fisionomia da entrada do hotel.” Aliás, segundo Luk Ku, um especialista em fong soi e geomancia chinesa, “a forma de gaiola do corpo principal visa reter os jogadores no casino, o tempo suficiente para lá deixarem o dinheiro que levam.”
Num extenso artigo, a autora passa em revista a história de muitos daqueles que foram os icónicos estabelecimentos da cidade, como o President Hotel, considerado o “precursor dos chamados hotéis-casino em Macau”, o “idílico cenário” da Pousada de São Tiago e o antigo Westin Resort Macau.
No ano em que foi publicada a reportagem, havia 15 mil camas disponíveis para os visitantes, considerado “satisfatório” para a procura que então existia. E esperava-se que a abertura do Aeroporto Internacional de Macau e com o previsível aumento do fluxo de visitantes viessem “a aparecer novos hotéis”.

 

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Algumas páginas do artigo “Decadência e glória dos hotéis de Macau” – Revista MACAU, Série II, n.º40, Agosto 1995

[Este texto faz parte de uma série do Extramuros em que se recuperam alguns dos momentos que marcaram as três décadas da revista MACAU, uma das mais antigas publicações em língua portuguesa ainda em circulação]

Outros posts:

Os 100 anos do Liceu (Outubro 1993)
A lepra através dos tempos (Janeiro, 1993)
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