30 anos revista MACAU: Os 100 anos do Liceu

capa_liceu de macau

Luciana Leitão

Em 1993, o então Liceu de Macau celebrava o seu centenário. Casa que hoje já não existe, contou com conhecidos alunos e professores, incluindo dois nomes que são hoje marcos importantes da literatura portuguesa, Camilo Pessanha e Venceslau de Morais.
Num artigo publicado na revista MACAU, em Outubro de 1993, da autoria de Clara Gomes, traçava-se a história desta instituição. Abriu em 1894 com 30 alunos e professores como “o bacharel Camilo Pessanha e o capitão-de-fragata Venceslau de Morais”.
A infância “não foi fácil”, com o Leal Senado a defender, poucos anos depois da sua criação, a sua extinção, alegando “a pouca frequência do estabelecimento como com o seu funcionamento.” Teve várias designações, incluindo Liceu Luís de Camões e Liceu Infante D. Henrique.
Nos anos 60, tinha muitos dos seus alunos a “adquirir formação superior na metrópole [Lisboa]”, sentindo-se, assim, com maior força “o peso do regime, nomeadamente através de uma das suas instituições, a Mocidade Portuguesa”. Com a importação da Mocidade Portuguesa, acabaram-se os bailes e as actividades desportivas “passaram a ser sessões solenes sem sentido para pessoas na flor da vida”, dizia o escritor Henrique Senna Fernandes, citado no artigo.
E teve várias moradas. Começou por situar-se no antigo edifício do Convento de Santo Agostinho. Depois, por ter ruído “o velho casarão”, o Liceu foi instalado noutro edifício em precárias condições, entre a Praia Grande e o Leal Senado, onde permaneceu até 1917, data em que a escola foi instalada no ainda existente Hotel da Boa Vista. Em 1924, muda-se para aquilo que já havia sido um orfanato e um asilo para inválidas, na rua Conselheiro Ferreira de Almeida. Mas seria só em 1956 que a instituição teria “direito a uma residência criada com a finalidade de o alojar”.
De estilo “Estado Novo, igual a tantas escolas que se construíram em Portugal no mesmo período”, posteriormente o Liceu mudou-se para o Porto Exterior, num projecto da autoria do arquitecto português Tomás Taveira. Hoje já não existe, tendo dado lugar ao actual Instituto Politécnico de Macau.

Primeiras páginas de um longo artigo sobre os 100 anos do Liceu de Macau – Revista MACAU, Série II, n.º18, Outubro 1993

[Este texto faz parte de uma série do Extramuros em que se recuperam alguns dos momentos que marcaram as três décadas da revista MACAU, uma das mais antigas publicações em língua portuguesa ainda em circulação]

Outros posts:

A lepra através dos tempos (Janeiro, 1993)
A carimbadela no umbigo (Junho, 1992)
Artistas dão cartas em Singapura (Julho, 1989)
A China em Construção (Maio, 1988)
A história da “Tia Chencha”
 (Abril 1988)
A Agência Lusa abria uma delegação em Macau 
(Fevereiro/Março 1988)
Do trote ao galope (Novembro, 1987)

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