Solstício de Inverno: a festividade invisível

 

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FOTO: CATARINA DOMINGUES/EXTRAMUROS

Esta festividade teve lugar no dia 21 de Dezembro, portanto já algum tempo, mas ainda faz sentido falar dela.
Ao contrário de outras festividades chinesas, cada uma associada a um evento ou uma série de eventos característicos e mais ou menos públicos, a festividade do Solstício de Inverno passa praticamente despercebida em Macau onde, no entanto, é pretexto para um dos 20 feriados públicos desta região administrativa especial da China.
Diga-se de passagem que Macau deve ser um dos poucos (para não nos arriscarmos a dizer que é o único) locais do mundo onde o solstício de Inverno é assinalado com um feriado público. Nem no Interior da China, nem em Hong Kong, nem em Taiwan, essa data é um feriado, apesar de nos tempos imperiais o solstício constituir uma festividade chinesa maior, que envolvia cerimónias secretas do Imperador no Templo do Céu, em Pequim.
Seria aliás curioso perguntar a quem de direito do Governo de Macau por que razão esse dia é feriado… Uma pergunta talvez um tanto embaraçosa mas a resposta mais autêntica seria: “é feriado porque sempre foi feriado”.
É capaz de ser mais ou menos isso. Aliás, há tempos Fernando Sales Lopes (que tem vindo a fazer uma recolha sistemática sobre as festividades de Macau) sublinhava a particularidade de Macau ser uma das regiões da China que melhor tem conservado as mais antigas tradições.
Em termos factuais, o feriado do Solstício de Inverno celebra o fenómeno astronómico que corresponde, no hemisfério norte, à noite mais longa do ano.
No calendário ocidental marca o começo do Inverno no hemisfério norte ou do Verão, no hemisfério sul.
Em termos do calendário chinês tradicional, o 21 de Dezembro marca o início do 22.º “termo solar”, 冬至 dongzhi.
Em termos do zodíaco ocidental 21 de Dezembro é o começo do signo do Capricórnio, enquanto no chinês marca o ponto central do mês 子 (zi), popularmente conhecido como “mês do Rato”, que corresponde ao segundo terço do “Inverno” chinês (esse mês começa cerca do dia 7 de Dezembro).
Se quer conhecer o funcionamento do ciclo anual chinês, leia o artigo sobre o calendário tradicional chinês publicado na revista MACAU, na edição 44 da IV série, de Junho de 2015.
Também pode ser lido na aplicação móvel da revista MACAU, descarregável através da App Store ou do Google Play. É escolher a edição 44, ver no Índice o artigo “Calendário Chinês de A a Z” e clicar.
Os três signos do Inverno ocidental (hemisfério norte) são o Capricórnio, o Aquário e o Peixes. O “Inverno” chinês, 冬天 dongtian, é composto pelos meses/signos do Porco, do Rato e do Búfalo – só que começa cerca de 45 dias mais cedo que o ocidental, cerca de 8 de Novembro, prolongando-se até 3 de Fevereiro. No dia 4 de Fevereiro (aproximadamente) começa um novo ano, bem como a Primavera, com o primeiro mês do ano, o mês do Tigre. Tudo isto de acordo com o calendário solar chinês, que não deve ser confundido com o calendário lunar, que corresponde a datas móveis.
No post que publicaremos a seguir, Yu Yin, da província de Guangdong, vai explicar-nos a maneira como as famílias chinesas mais tradicionais vivem e encaram a festividade do Solstício de Inverno.

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